De Olhos Abertos

Dicas e Curiosidades sobre Oftalmologia

Doutora, existem remédios de uso contínuo que podem prejudicar a visão?

A resposta, infelizmente, é sim.

Mas, antes de prosseguir a leitura, gostaria de avisá-lo: se você tem alguma doença que exija o uso destes remédios (contanto que sejam prescritos pelo médico), não se assuste, nem interrompa o tratamento sem conhecimento do seu médico. Tome a medicação e procure um acompanhamento conjunto com seu oftalmologista.

E quais seriam os possíveis “vilões” da boa visão? Vamos listar alguns:

– Corticóide: administrado no tratamento de doenças inflamatórias e alérgicas, o uso deste medicamento pode aumentar o risco de desenvolver catarata e glaucoma, principalmente se utilizado em forma de colírio.

– Cloroquina: medicação muito empregada no tratamento de doenças reumatológicas, a cloroquina, se utilizada em altas doses e por tempo prolongado, pode causar uma maculopatia (alteração da mácula, região da retina, responsável pela nossa visão central) e déficit visual.

– Roacutan (isotretinoína): utilizado para tratamento da acne, pode desencadear síndrome de olho seco e , segundo o FDA (agência reguladora de medicamentos dos EUA), antecipar a catarata (isso porque a isotretinoína aumenta a absorção de radiação UV pelo cristalino).

– Antidepressivos, antialérgicos e anticoncepcionais: podem levar a olho seco

– Antibióticos:o uso indiscriminado reduz a flora bacteriana normal e predispõe a infecções oculares.

– Betabloqueadores: prescritos no tratamento da hipertensão arterial sistêmica (pressão alta), os betabloqueadores aumentam a chance de opacificação do cristalino (a famosa catarata!).

 

A lista é grande, citamos apenas alguns exemplos. Quer saber mais? Procure seu oftalmologista e fique de olhos abertos!

Maquiagem tem validade?

Sim!

Pasmem! Assim como iogurte, lente de contato, remédio e protetor solar, maquiagem também tem data de vencimento!

O uso inadequado da maquiagem, seja pela má qualidade ou pela data de validade ultrapassada, pode causa alergia, coceira, conjuntivite infecciosa (viral ou bacteriana), dermatite palpebral (irritação e descamação das pálpebras).

A validade varia de acordo com o tipo (lápis, rímel, sombra, delineador) e marca da maquiagem, mas o período varia entre (pasmem novamente!) 6 meses a 2 anos. Renovou o estoque na última visita ao freeshop, quando o dólar ainda era baratinho?! Pode checar, tem muita coisa vencida na sua necessaire!
Além da data, fique atento à mudança de coloração, cheiro e textura. Produtos mal armazenados podem sofrer contaminação e estragar antes do tempo.

Outras dicas de beleza:

– Caso use lentes de contato, coloque-as antes de realizar a maquiagem e retire-as antes de limpar o make. Isso diminui o depósito de proteínas nas lentes.

– Se você tem pele sensível e costuma ficar com sensação de areia nos olhos após uso de maquiagem, prefira os produtos que não são à prova d`água. São removidos com mais facilidade e deixam menos resíduos nos olhos e pálpebras.

– Nunca durma de maquiagem! Quando dormir, pode ter certeza (não é praga de oftalmologista!) vai acordar com os olhos vermelhos, irritados e coçando. Retire a maquiagem e faça compressas geladas. Se não melhorar, procure seu oftalmologista.

– Usa lápis preto tão constantemente que dorme sem removê-lo para não ter o trabalho de repassar no dia seguinte? Saiba que o acúmulo do lápis nas pálpebras pode levar a obstrução das glândulas de meibomius, condição conhecida como meibomite / blefarite (inflamação das pálpebras).

Fiquem sempre atentos e de olhos abertos!

Doutora, óculos comprado em camelô faz mal?

Quem nunca foi à praia, esqueceu os óculos de sol e acabou comprando óculos baratinho com o vendedor ambulante camarada? Quem nunca sucumbiu à tentação de adquirir aquele modelo “praticamente igual” ao de uma grife chiquérrima, por 1 décimo do valor? Ainda mais agora, que todo camelô aceita cartão de crédito!?

Provavelmente muitos de vocês se identificaram com as situações acima. Mas estes óculos oferecem algum perigo real à saúde ocular?

Sim! Os óculos de sol são importantíssimos para barrar os raios solares UVA e UVB, conhecidos vilões que aumentam o risco de doenças como câncer de pele nas pálpebras, pterígio, catarata, degeneração macular relacionada a idade (DMRI – doença da parte central da retina, que pode levar a cegueira), entre outras. Pior ainda, com a lente escura dos óculos (assim como em qualquer ambiente escuro), nossa pupila se dilata para melhor penetração dos raios luminosos. Com os óculos falsificados, a pupila dilatada permite maior entrada dos raios nocivos a saúde ocular.

Em relação aos óculos de grau, a notícia também é ruim… Mesmo que o grau seja o ideal para você (uma coincidência bem rara…) a lente de má qualidade pode distorcer as imagens, piorando a qualidade da visão e muitas vezes levando a dores de cabeça pelo esforço visual.

Além disso, ao comprar lentes corretivas no mercado paralelo, muitos pacientes adiam a consulta ao oftalmologista, atrasando o diagnóstico de doenças silenciosas e muitas vezes graves, como glaucoma, retinopatia diabética, catarata, DMRI.

Fique de olhos abertos! Óculos, somente se prescritos pelo oftalmologista e adquiridos em ótica de confiança!

Doutora, sinto muito desconforto nos olhos ao fim de um longo dia de trabalho no computador. Será que eu não preciso de óculos?

Outro assunto frequente no consultório: fadiga ocular. Profissões campeãs nesta queixa: advogados, manicures, fabricantes de bijuterias, usuários assíduos de computador.

Muitas vezes este desconforto, referido como dor ao redor dos olhos, ardência, lacrimejamento e embaçamento visual após longos períodos de esforço visual, são o que chamamos de astenopia, e indicam que o paciente pode ter alguma ametropia (“grau” nos olhos). Neste caso, os sintomas costumam melhorar após prescrição correta de óculos.

No entanto, muitos pacientes sentem-se decepcionados quando, após consulta completa, descobrem que não necessitam de uso de lentes corretivas, e que não existe óculos mágico que fará os sintomas irem embora.

Mas se não é falta de óculos, o que pode causar este cansaço visual, referido por cerca de 80% da população?

Quando nos concentramos num ponto por muito tempo, nosso sistema visual necessita realizar ajustes imperceptíveis e involuntários de acomodação e convergência, para obter nitidez e foco. Estes ajustes são realizados por meio de contrações de músculos oculares, que, assim como qualquer outro músculo do nosso corpo, ficarão fatigados ao realizar um esforço contínuo. Sob este estresse, nossos olhos ficam incapazes de promover o foco exato dos objetos, causando embaçamento ocular, entre os outros sintomas citados.

E como podemos “descansar a vista?”

Alguma dicas muito úteis já foram citadas em posts prévios, como piscar os olhos frequentemente e evitar ar condicionado e ventilador direcionados ao rosto. Devemos também lembrar de limpar a tela do computador, pois o acúmulo de poeira deteriora a imagem e dificulta a visão.

Não funcionou? Pare alguns minutos, sente-se em uma posição confortável e feche os olhos com as mãos em formato de concha (para não apertar os olhos). Fique assim por um a dois minutinhos, e retorne ao trabalho. Este ato interrompe temporariamente a transmissão de todo estímulo luminoso externo, e assim nossos olhos descansam.

Não funcionou? Sinal de que é preciso desacelerar, descansar. Estresse, cansaço físico, mental e falta de horas adequadas de sono podem ser a causa.

Fique de olhos abertos e procure sempre um oftalmologista!

Doutora, lavo o rosto 2x por dia. Isso é suficiente para manter meus olhos limpos?

Os olhos são considerados órgãos limpos, pois possuem um ótimo sistema de proteção contra sujeira e pó, como os cílios, sobrancelhas, pálpebras e a capacidade de piscar.

Além disso, as lágrimas são continuamente produzidas e drenadas (Sim! Temos produção de lágrimas constantemente, não somente quando choramos!). Esse fluxo lacrimal basal é muito importante para limpeza de impurezas que ocasionalmente se depositam nos olhos.

Mas voltemos a pergunta inicial deste post: Lavar o rosto é suficiente para a limpeza ocular?

Na maior parte das vezes sim, pois a higiene do rosto, ao redor dos olhos, juntamente com os fatores de proteção e limpeza naturais que acabamos de citar, costumam bastar.

No entanto, em alguns casos como pele oleosa, ambiente de trabalho com muita poeira e disfunção da glândula de meibomius (falaremos melhor em outro post, mas basicamente é o excesso de produção da parte gordurosa da lágrima), faz-se necessário uma limpeza mais caprichada.

Como? Utilize um cotonete embebido em produtos adequados para a higiene ocular (uma ótima dica são os xampus de criança, com PH neutro, diluídos em água) e faça a limpeza dos cílios, margem palpebral (onde as mulheres passam o lápis preto de maquiagem), sobrancelhas e cantos palpebrais. Deve ser realizado todos os dias, preferencialmente após o banho, pois a água morna ajuda a amolecer impurezas e secreções.

Mas atenção! Se a higiene for realizada com produto de limpeza inadequado, pode causar ardência, vermelhidão, desconforto e, em casos extremos, até graus leves de queimadura ocular.

Para maiores informações, procure sempre um oftalmologista. Fique de olhos abertos!

Maquiagem definitiva ao redor dos olhos, pode?

Na esquina entre a cobrança diária pelos padrões de beleza com a correria do universo feminino, nasceu uma nova tendência: a maquiagem definitiva.

Utilizando uma técnica de micropigmentação na área das sobrancelhas e margem palpebral, simula o lápis ou delineador utilizados na maquiagem convencional.

Mas e aí? Pode? É seguro? Como vocês já devem ter adivinhado, se fosse algo totalmente isento de riscos não renderia um post….

A pele periorbitária (ao redor dos olhos), é extremamente fina, delicada, recheada de terminações nervosas e vasos sanguíneos, além do canal lacrimal (que realiza a drenagem da lágrima). Durante o procedimento, realizado em salões de beleza ou estúdios de tatuagem por profissionais não médicos, podem ocorrer lesões nestas nobres estruturas oculares.

Outros riscos descritos: transmissão de vírus e infecções (através de material contaminado), inversão dos cílios (causando lesões na córnea pelo atrito), inflamação das glândulas de meibomius (que produzem a parte oleosa da lágrima), sensação de olho seco, queda dos cílios e alergia.

Está convencida a desistir da maquiagem definitiva? Calma, não é este o propósito do post. Consulte um oftalmologista antes e, caso não haja contra indicações, procure um local confiável para a realização do procedimento.

Fique de olhos abertos! E lindos!

Doutora, meu filho fica muito no computador, e quando sai vai direto para a TV ou tablet. Isso prejudica a visão?

Esta pergunta é feita por mais de 80% das mães e pais quem levam os filhos para consulta oftalmológica.

Antes de responder como oftalmologista, responderei como médica: Crianças devem praticar atividades físicas, preferencialmente em ambientes externos, prevenindo assim muitos problemas de saúde, em especial a obesidade infantil. O tempo em frente a TV, computador e tablets deve ser controlado pelos pais, assim como o conteúdo das informações as quais os filhos tem acesso por estes meios.

No entanto, toda informação que antes só tínhamos contato por livros, revistas, enciclopédias (lembram das coleções de enciclopédias??), hoje estão acessíveis de maneira muito mais rápida virtualmente. Assim, pesquisa para trabalhos escolares, leitura de notícias e até de livros, são realizadas por computadores e tablets, forçando nossos pequenos a passar um bom tempo em frente a estes dispositivos.

Podem prejudicar a visão? Não! Até agora não foi comprovado que o uso destes aparelhos possa diminuir a qualidade/quantidade visual.

Todavia, alguns cuidados devem ser tomados:

-Não deixe ar condicionado ou ventiladores ligados diretamente em frente ao rosto dos seus filhos, pois podem ressecar os olhos.

-Oriente – os a piscar os olhos. Quando estamos em atividades que exijam atenção redobrada, diminuímos pela metade a frequência de piscar. Com isso, não renovamos o filme lacrimal e facilitamos o ressecamento ocular, com consequente ardência, vermelhidão e lacrimejamento reflexo.

– Cuidado com a iluminação! Ambientes escuros não são adequados para leitura, mesmo que o dispositivo tenha luz própria na tela (como computadores e tablets). Por outro lado, ambientes excessivamente claros tabém podem causar desconforto.

– Distância ideal: a distância que os pequeninos devem manter da tela depende da visão de cada um. Em pacientes que não necessitam de óculos, cerca de 40 cm de distância é o recomendado. Caso use óculos, esta distância pode variar de acordo com o grau dos óculos (cada lente tem seu comprimento focal). Em caso de visão subnormal, seu filho pode querer aproximar bastante a tela dos olhos. Não o repreenda!! Esta é a forma que ele encontrou para melhor visualização das informações.

Mas fique de olhos abertos! Se seu filho queixa-se de cansaço visual, dor de cabeça, lacrimejamento ou embaçamento visual, procure seu oftalmologista!

Receita de óculos serve para lente de contato?

No dia-a-dia do consultório, esta é uma das perguntas mais frequentes ao final da consulta, quando o paciente recebe a prescrição (receita) dos óculos.

A resposta é “NÃO, DE FORMA ALGUMA!”

Os óculos são lentes com poder dióptrico, capazes de corrigir o erro refracional (grau) do paciente. Montadas em uma armação, estas lentes encontram-se a certa distância dos olhos, sem manter contato direto com os mesmos.

Assim, a prescrição dos óculos basicamente especifica o grau (miopia, hipermetropia, astigmatismo, presbiopia) e a distância interpupilar (para que o centro da lente coincida com o centro visual do paciente).

Já as lentes de contato, como o nome diz, ficam em contato diretamente com os olhos. Dessa forma, uma boa adaptação da lente de contato depende de parâmetros da própria lente, como a curva base (para a lente encaixar adequadamente na córnea), o diâmetro (que deve variar de acordo com o diâmetro da córnea do paciente), espessura, transmissibilidade de oxigênio (que altera-se de acordo com o polímero da lente), material (rígida x gelatinosa, e dentre as gelatinosas ainda existem diversas opções no mercado) e finalmente o grau. Mas pelo menos o grau é o mesmo, certo?! Não! Nem mesmo o grau é sempre igual ao da prescrição dos óculos!

Além disso, iniciar o uso de lentes de contato exige uma imensa gama de informações: saber como colocá-las e retirá-las, como efetuar a limpeza e armazenamento, quanto tempo usá-las por dia, quando descartá-las…

Portanto, lente de contato com confiança e segurança, somente se adaptadas por um oftalmologista! Fique de olhos abertos!